terça-feira, 11 de setembro de 2012

Incompatifes



«Deve pôr-se o pé assim para se não cair» e «é necessário acreditar nisto pois seria um absurdo enorme não acreditar», constituem bases muito boas. As pessoas que quiserem ir mais longe podem fazê-lo, mas sem pensarem que fazem algo de grande, porque se tudo resultar, nada mais encontrarão, no fim das contas, do que aquilo que o homem razoável sabia há muito. É fácil viver no mundo conforme a opinião do mundo: é fácil na solidão viver conforme a própria opinião. Grande é quem, diante da multidão, conserva com serenidade a independência da solidão. Há uma espécie de crueldade psíquica nesta vontade de tornar funesto o profundo sentimento de todas as coisas e de fechar a saída do labirinto de ideias fixas, que condena o homem a se achar culpado e réprobo até ao infinito. Aquela pessoa com quem acabais de ilicitamente dar uma cambalhota, pouco depois, na sua presença mesmo, bradará contra uma similar transgressão. Vejo proporem-nos modelos de vida que nem mesmo quem os propõe têm alguma esperança de seguir ou o desejo de o fazer. Modelos de vida: tão inúteis quanto requintados. Assim vão os homens. Deixa-se que as leis e os preceitos sigam o seu caminho: nós tomamos outro, não só por desregramento de costumes, mas também frequentemente, por termos opiniões e juízos que lhes são contrários. 

Bonjour!

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Paisagens Inexistentes


“Há tão pouca gente que ame as paisagens que não existem.”

 Fernando Pessoa


Cada indivíduo vê o mundo - e o que este tem de acabado, de regular, de complexo e de perfeito - como se se tratasse apenas de um elemento da Natureza a partir do qual tivesse que constituir um outro mundo, particular, adaptado às suas necessidades. 
Os homens mais capazes tomam-no sem hesitações e procuram na medida do possível comportar-se de acordo com ele. Há outros que não se conseguem decidir e que ficam parados a olhar para ele. E há ainda os que chegam ao ponto de duvidar da existência do mundo. Infinitamente incapaz de compreender os extremos, tanto o fim das coisas como o seu princípio.

O que é o homem na natureza? Um nada em relação ao infinito, um tudo em relação ao nada, um ponto a meio entre nada e tudo.

Bonjour!

sábado, 8 de setembro de 2012

Bukowski


Los muertos no necesitan
aspirina o
tristeza
supongo. 
pero quizás necesitan
lluvia. 
zapatos no
pero un lugar donde
caminar.
cigarrillos no,
nos dicen,
pero un lugar donde
arder.
O nos dicen:
Espacio y un lugar para
volar,
da
igual.
los muertos no me necesitan.
ni los vivos.
pero quizás los muertos se necesitan
unos a
otros.
En realidad, quizás necesitan
todo lo que nosotros
necesitamos
y
necesitamos tanto
Si solo supiéramos
que
es.
probablemente
es
todo
y probablemente
todos nosotros moriremos
tratando de
conseguirlo

o moriremos

porque no
lo
conseguimos.

Espero que
cuando yo este muerto
comprendáis

que conseguí
tanto
como
pude.

Charles Bukowski

The Roominghouse Madrigals: Early Selected Poems -1946-1966

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails