segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

What you think you know




A civilização consiste em dar a qualquer coisa um nome que não lhe compete, e depois sonhar sobre o resultado. E realmente, o nome falso e o sonho verdadeiro, criam uma nova realidade. O objeto torna-se realmente outro, porque o tornamos outro. Manufaturamos realidades. A matéria-prima continua a ser a mesma, mas a forma que lhe foi dada, afasta-a, efetivamente, de continuar sendo a mesma. Uma mesa de pinho é pinho mas também é mesa. Sentamo-nos à mesa e não ao pinho. Um amor é um instinto sexual, porém não amamos com o instinto sexual, mas com a pressuposição de outro sentimento. E essa pressuposição é, com efeito, já outro sentimento.

Toda a ação é, por sua natureza, a projeção da personalidade sobre o mundo, que é composto, em grande parte, por seres humanos, que segue que essa projeção é essencialmente o atravessar no caminho alheio, o estorvar, o ferir e esmagar os outros,  como uma pedra que se passa sobre, ou que se afasta do caminho, conforme o seu modo de agir. 

Bonsoir ilha!


domingo, 8 de janeiro de 2012

Happy B-day, Caio!



Cada dia é sempre diferente dos outros, mesmo quando se faz aquilo que já se fez. Porque nós somos sempre diferentes todos os dias, estamos sempre a crescer e a saber cada vez mais, mesmo quando percebemos que aquilo em que acreditávamos não era certo e nos parece que voltamos atrás. Nunca voltamos atrás. Não se pode voltar atrás, não se pode deixar de crescer sempre, não se pode não aprender. Somos obrigados a isso todos os dias. Mesmo que, às vezes, esqueçamos muito daquilo que aprendemos antes. Mas, ainda assim, quando percebemos que esquecemos, lembramo-nos e, por isso, nunca é exatamente igual. 
— Porquê, mãe? 
— Porque a memória não deixa que seja igual, mesmo que seja uma memória muito vaga, mesmo que seja só assim uma espécie de sensação muito vaga. É que a memória não é sempre aquilo que gostaríamos que fosse. Grande parte dos nossos problemas estão na memória volúvel que possuímos. Aquilo que é hoje uma verdade absoluta, amanhã pode não ter nenhum valor. Porque nos esquecemos, filho. Esquecemos muito daquilo que aprendemos. E cansamo-nos. E quando estamos cansados, deixamos de aprender. Queremos não aprender por vontade. Essa é a nossa maneira de resistir, mais ou menos, àquilo que nos custa entender. E aquilo que nos custa entender pode ter muitas formas, pode chegar de muitos lugares. 
— Porquê, mãe? 
— Porque nos parece que é assim. Mas talvez não seja assim. Aquilo que nos custa entender é sempre uma surpresa que nos contradiz. Então, procuramos convencer-nos das mais diversas maneiras, encontramos as respostas mais elaboradas e incríveis para as perguntas mais simples. E acreditamos mesmo nelas, queremos mesmo acreditar nelas e somos capazes. Somos mesmo capazes. Não imaginas aquilo em que somos capazes de acreditar. 
— Porquê, mãe? 
— Porque temos de sobreviver. Porque, à noite, a esta hora, temos de encontrar forças para conseguirmos dormir, descansar, e temos de acreditar que no dia seguinte poderemos acordar na vida que quisemos, que desejamos. Temos de acreditar que poderemos acordar na vida que conseguimos construir e que essa vida tem valor, e vale a pena.
José Luís Peixoto

FELIZ ANIVERSÁRIO, CAIO!





A lovely time

The voice of your eyes is deeper and sweeter than all the roses.

Bonjour!

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