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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Ah, o amor...



Por todas as razões e mais uma. Esta é a resposta que costumo dar-te quando me perguntas 'por que razão te amo'. Porque nunca existe apenas uma razão para amar alguém. Porque não pode haver nem há só uma razão para te amar. 
Amo-te porque me fascinas e porque me libertas e porque fazes sentir-me bem. E porque me surpreendes e porque me sufocas e porque enches a minha alma de mar e o meu espírito de sol e o meu corpo de fadiga. E porque me confundes e porque me enfureces e porque me iluminas e porque me deslumbras. 
Amo-te porque quero amar-te e porque tenho necessidade de te amar e porque amar-te é uma aventura. Amo-te porque sim mas também porque não e, quem sabe, porque talvez. E por todas as razões que sei e pelas que não sei e por aquelas que nunca virei a conhecer. 
Mas o mundo vem tentando convencer-nos de que é possível tirar o veneno ao prazer e ficar apenas com o prazer: café sem cafeína, cerveja sem álcool, cigarro sem nicotina - amor platônico. Se é para pecar que seja o pecado inteiro.  

Bonjour!





segunda-feira, 2 de julho de 2012

Palavras Interditas


Os navios existem, e existe o teu rosto 
encostado ao rosto dos navios. 

Sem nenhum destino flutuam nas cidades, 
partem no vento, regressam nos rios. 

Na areia branca, onde o tempo começa, 
uma criança passa de costas para o mar. 

É preciso partir, é preciso ficar... 

As palavras que te envio são interditas ...
se alguma regressasse, 
nem já reconhecia o teu nome 
nas suas curvas claras.

Nas suas margens nuas, desoladas, 
cada homem tem para dar apenas
um horizonte de cidades 
bombardeadas. 


 Bonjour. 


 Eugênio de Andrade


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