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terça-feira, 19 de julho de 2011

O caminho do meio

Posso imaginar-me tudo, porque não sou nada. Se fosse alguma coisa, não poderia imaginar. O ajudante de guarda-livros pode sonhar-se imperador romano; o Rei da Inglaterra não o pode fazer, porque o Rei da Inglaterra está privado de o ser, em sonhos, outro rei que não o rei que é. A sua realidade não o deixa sentir.  A necessidade e a privação geram a dor, mas em contrapartida, a segurança e a abundância geram o tédio. Se tivesse os Reis do sonho, ou as paisagens impossíveis, que me restaria de possível ? Nada preserva tanto desses desvios quanto a riqueza interior, o caminho do meio, a riqueza de nosso espírito. 
Fernando Pessoa
Bonjour!


Once there was a way, to get back homeward.
Once there was a way, to get back home.
Sleep pretty darling, do not cry.
And I will sing a lullaby...

Golden Slumbers fill your eyes.
Smiles awake you when you rise.
Sleep pretty darling, do not cry.
And I will sing a lullaby...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

We are the river flow

O que perturba os homens não são as coisas, e sim as opiniões que se têm em relação às coisas. A opinião que reina em relação a alguma coisa é que a faz parecer HORRÍVEL aos nossos olhos. A opinião distorce a realidade. Portanto, quando estivermos embaraçados, perturbados ou penalizados, não o atribuamos a outrem, mas a nós próprios, ou seja, às nossas próprias opiniões! 
Assim, uma tristeza é um lago morto dentro de nós... uma alegria um dia de sol em nosso espírito. 
Epicteto e Fernando Pessoa

Bonjour!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Quando minhas palavras beijarem seu ouvido...

Compreender o que outra pessoa sente é ser ela. Ser outra pessoa é de uma grande utilidade metafísica. Deus é toda a gente.  Os sentidos são divinos porque são a nossa relação com o Universo. O universo não concorda consigo próprio, porque passa. A vida não concorda consigo própria, porque morre. O sentimento abre as portas da prisão com que o pensamento fecha a alma. Só o que se pensa é que se pode comunicar aos outros. O que 'se sente' não se pode comunicar. Só se pode comunicar o valor do que se sente. Só se pode fazer sentir o que se sente.
Fernando Pessoa

Saudades, pai!
18/05/2004

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A caserna, o moínho e o bazar

A nossa personalidade deve ser indevassável, mesmo por nós próprios: daí o nosso dever de sonharmos sempre, e incluirmo-nos nos nossos sonhos, para que não nos seja possível ter opiniões a nosso respeito. E especialmente devemos evitar a invasão da nossa personalidade pelos outros. Todo o interesse alheio por nós é uma indelicadeza ímpar. O que desloca a vulgar saudação - "como estás?" - de ser uma indesculpável grosseria, é ela ser, em geral, oca e insincera. 
Fernando Pessoa, in 'Livro do Desassossego' 
Bonjour!

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