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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Um gesto sem amanhã

A vanguarda viu as coisas diferentemente: estava possuída pela ambição de estar em harmonia com o futuro. Os artistas de vanguarda criaram obras, corajosas é verdade, difíceis, provocatórias... mas criaram-nas com a certeza de que o «espírito do tempo» estava com eles e que, amanhã, lhes daria razão. Porque o futuro é sempre mais forte que o presente. É ele, de fato, que nos julgará. E certamente sem qualquer competência. 
Milan Kundera- 
O futuro não é garantia de competência

quinta-feira, 31 de março de 2011

Demasiado Humano

Antes de desaparecerem da paisagem, os caminhos desapareceram da alma humana... O homem já não sente o desejo de caminhar e de extrair disso um prazer.

 Saímos da infância sem sabermos o que é a juventude, casamo-nos sem sabermos o que é ser casado, e mesmo quando entramos na velhice, não sabemos para onde vamos...
Milan Kundera, in "A Imortalidade"

Bonjour!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Líricos e épicos

Os homens que têm a mania pelas mulheres dividem-se facilmente em duas categorias. Uns procuram em todas as mulheres a ideia que eles próprios têm da mulher "tal como ela lhe aparece em sonhos", o que é algo de subjetivo e sempre igual. Aos outros, move-os o desejo de se apoderarem da infinita diversidade do mundo feminino objetivo. 

A obsessão dos primeiros é uma obsessão lírica; o que procuram nas mulheres não é senão "eles próprios", não é senão "o seu próprio ideal", mas, ao fim e ao cabo, apanham sempre uma grande desilusão, porque, como sabemos, o ideal é precisamente o que nunca se encontra. Como a desilusão que os faz andar de mulher em mulher dá, ao mesmo tempo, uma espécie de desculpa melodramática à sua inconstância, não poucos corações sensíveis acham comovente a sua perseverante poligamia. 


A outra obsessão é uma obsessão épica e as mulheres não vêem nela nada de comovente: como o homem não projeta nas mulheres um sonho, um ideal subjetivo, tudo tem interesse e nada pode desiludi-lo. E esta impossibilidade de desilusão encerra em si algo de escandaloso. Aos olhos do mundo, a obsessão do femeeiro épico não tem remissão (porque não é resgatada pela desilusão).

 
Como o femeeiro lírico gosta sempre do mesmo tipo de mulheres, quase nem se repara quando tem uma amante nova; os amigos causam-lhe sérios embaraços porque nunca vêem que a sua companheira já não é a mesma e tratam as suas amantes sempre pelo mesmo nome. 

Milan Kundera, in "A insustentável leveza do ser"

Um prêmio sem mérito

O amor é, por definição, um prêmio sem mérito. Se uma mulher me diz: eu amo-te porque tu és inteligente, porque és uma pessoa decente, porque me dás presentes, porque não andas atrás de outras mulheres, porque sabes cozinhar, então eu fico desapontado. É muito mehor ouvir: eu sou louca por ti embora nem sejas inteligente nem uma pessoa decente, embora sejas um mentiroso, um egoísta e um canalha. 
Milan Kundera, in "A Lentidão" 

Bonjour!

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