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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Quando o escriba do castelo era eu- de Victor Leonardi

"Nessa geração oculta, que hoje toma a frente do cenário literário brasileiro, alguns nomes, já nem novos - mas novíssimos no que representam -começam a se impor". Entre os nomes citados, José Castello colocou o de Victor Leonardi e o livro Quando o escriba do castelo era eu. Segundo ele, os livros delineiam um momento em que a literatura brasileira dá um grande salto, não só de qualidade mas, sobretudo, de atrevimento.(...) A literatura se converte, assim, em uma espécie de mundo alternativo, ou virtual, que vem preencher as lacunas do mundo real. Boas mentiras, que completam a insuficiência da verdade (...). Há, em todo caso, a redescoberta de uma utopia de fraternidade (...). Essa tensa relação com o mundo é um sinal, promissor, de que a realidade volta a interessar os escritores. Eles já não desejam, porém, a pose dos retratistas, ou a simplificação dos sentimentais. Em vez disso, buscam e fazem uma escrita que venha ferir o real, como alguém que, durante a noite, se pusesse a sacudir um sujeito que dorme. Esse sujeito é a literatura.
José Castello ao citar Victor Leonardi e o livro Quando o escriba do castelo era eu.


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Olhos confessos


Hannah Holman
"A loucura não é uma questão de conteúdos, mas de intensidades. Basta observar nosso mundo contemporâneo, dominado pelos excessos. Bens preciosos como a comida, o sexo, a aventura, os esportes, o amor à beleza _ que nos mantêm vivos e nos tornam humanos _, quando experimentados sem o zelo das proporções, nos envenenam, adoecem, enlouquecem."


"Sem pompas, sem luzes, sem os mantos da consagração ou do sucesso, só um homem que respira. Um homem que busca palavras em que se agarrar. Um escritor a seco. Magro, tenso, insatisfeito, faminto. Todo escritor tem uma fome insaciável de palavras. Não escreve para matar a fome, mas para encará-la. Não escreve para se esconder, ou para se enobrecer, mas para se desnudar."
José Castello

Bonjour!

domingo, 10 de abril de 2011

Duas e Dez

Minhas primeiras palavras foram: "duas e dez". Ainda de fraldas, ganhei um relógio de pulso. Sempre que me perguntavam as horas, não importando a hora verdadeira, eu respondia: "duas e dez". Eram as minhas horas. Nelas, eu começava a existir. Dessas primeiras e estranhas palavras, eu nasci. 
De onde tirei esse horário? Nasci de um mistério que se chama "duas e dez".
José Castello 

A escrita para nos acordar

"Escrever é a melhor maneira de pensar. Quando escrevemos, o pensamento perde a arrogância e se deixa guiar pelo que desconhece. Escrever, portanto, é pensar no escuro."

"Não: a literatura não expressa um desejo de se comunicar. O leitor, quando entra em um livro, é um ladrão... A literatura é, ao contrário, o desejo de se isolar."

"Não lemos um livro para concordar com ele, mas para que ele nos atinja o peito, como uma bala. Para que nos transpasse, sacuda e sangre." 

"As certezas congelam, e a literatura, que é um choque, acorda." 

"É bom ler Cícero, não para reverenciá-lo, mas para dele discordar. Para usá-lo _ como fazem os corredores das maratonas _ como um energético. Nem mesmo os filósofos possuem a chave da verdade. A verdade é um cofre lacrado para sempre. Não existe chave capaz de abri-lo. Ler, em consequência, é desconfiar. É ler para reler, distorcer, relembrar, discordar, interrogar. Em outras palavras: cada leitor é o único dono do livro que tem nas mãos e faz com ele o que bem quiser."
José Castello

Bonjour José!

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